É mais um dia, levantamo-nos de cabeça fria
Nós e a rotina estúpida parece que duram uma vida
O mesmo percurso, as mesmas pessoas, as mesmas tácticas
Nada de novo para contar ao fim de horas práticas
Sentimento de desespero, lamentos na lagoa
Quero estar alheio ao local onde a mágoa ecoa
Mas disso não estaremos imunes, não sairemos impunes
Teremos sempre comportamentos a abarrotar de queixumes
Não se deixem perturbar por um simples sintoma
As consequências serão visíveis quando subirem à tona
Só nós podemos modificar as linhas que traçamos
Lágrimas não eliminam contrariedades que passamos
À nossa frente vai-se construindo uma grande muralha
Ergam os punhos, lutem por algo nesta batalha
Uma fase boa, uma fase má
Temos que agradecer pelo facto de ainda estarmos cá
Não devemos cair, o medo traça o fracasso
Força, coragem e vontade sempre presentes em cada passo
A vida é dura, muita injustiça e muita incerteza
Se querem triunfar não mostrem sinal de fraqueza
Divagamos em sonhos, somos anjos com asas
Queremos achar o caminho de terras que não foram pisadas
Espera, pára! Não vás tão avante
Não é necessário percorrer um caminho tão distante.
Quando escrevo liberto toda a energia
Confissões e elações que tiro do dia-a-dia
É mais uma fase vista com um olhar diferente
Constrói a tua base, tens um futuro pela frente.
De consciência tranquila, apresento-me na primeira fila
Sempre com atitude, essa não posso comprimi-la
Nesta puta de vida onde tudo tem uma razão
O sufoco que sinto quando não encontro uma explicação
Estradas incomensuráveis traçadas por linhas tortas
Momentos em que parece que me fecharam as portas
Às vezes penso que a vida não faz sentido
Acontece a todos, mas há instantes que parece que é mais comigo
De momento olho para o céu, ele permanece escuro
Devido à incerteza, qual será o meu futuro?
Mas assim continuo escrevendo estes versos puros
Neste Universo há ocasiões em que temos que ser duros
Fico cansado em segundos, mas tenho força de vontade
É incrível como consigo viver nesta realidade
Se te sentes melancólico, porque não encontras uma saída?
Não te preocupes porque o sonho comanda a vida
São várias as lições, são vários os trambolhões
O importante é seres tu próprio a tirar as conclusões
Ultrapassa essa fase, não esperes pelo amanhã
Tu tens de reagir, e o melhor é começares já
Toma oposição, começa a abater os teus medos
Por poucos que sejam, vais sempre aprender com os erros
Não te podes perder, alcança a tua meta
Desfruta depois de saberes que a satisfação é certa
Não te julgues desgraçado, tenta abraçar a glória
Levanta a tocha, dá graças por mais uma vitória.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Mais um dia
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Confiança
Num cenário péssimo e eu peço-te que faças um acréscimo
Alimenta expectativas porque a vida é feita delas
Não plantes tempestades pois um dia vais colhê-las
Agradece, compreensão é um bom início
A gratidão não compensa, tu pensa nisso
Não olhes para o resultado, pensa na intenção
De quem te dá pouco mas pouco com o coração
De quem te apertava a mão outrora até à ribalta
Quanto mais se distancia mais sente a tua falta
Quantas vezes dei o litro por quem não me merecia?
Quantas vezes fui fudido por quem não conhecia?
Ameaçavam um passo em falso e isso me incentivava
Adicionavam um salto alto e sentia que alguém me puxava
E quem falava sem pensar sentiam que era um incentivo
Não confio porque sei que isso tudo é fictício.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Força Interior
Cara-a-cara com o medo em constante perseguição
Desde cedo a tentar levar-te à depressão
Não te deixes ir abaixo, quebra o enguiço
Apenas tu tens a poção para anular esse feitiço
Aprende a canalizar os sinais em teu redor
Do interior extrai o teu melhor, esquece o pior
A vida muda, como Tu diariamente
De camisa, a brisa que ela solta é sempre quente
Se estiveres consciente vais observar a florescer
Vais reparar que tens razões para sentir prazer
O lado negativo tem de ser esquecido
Faz um esforço, o sacrifício é retribuído
Mais tarde ou mais cedo, convém é que chegue a tempo
Para pintar de várias cores esse terrível céu cinzento
Nesse espaço sempre escuro, neutro ou incolor
Meu irmão encontra uma força interior
Aprende a cuidar de ti próprio, tu tens valor
Mantém o espírito elevado e luta até ao fim
Aprende a sorrir à vida porque ela já o fez a mim.
sábado, 20 de novembro de 2010
eqb.
Contigo próprio em determinado momento
Estranha aparição, pergunto-me como é possível
Eu não pedi nada disto, a sensação é horrível
Divago por entre quatro paredes de cimento
À espera de uma luz que me ilumina sobre céu cinzento
Não avalio uma pessoa por aquilo que vejo por fora
Observo bem fundo, no núcleo está a flora
Não sou menino do coro, nada tive de mão beijada
Desde cedo lutei para a vida ser balanceada
Porquê? O aparecimento deste sentimento
Talvez descubra uma resposta com o passar do tempo
Fecho-me no meu espaço, no vazio
Não tenho controlo neste lugar tão sombrio
Mas deve ser mais uma lição que devo aprender
A dor existe porque de seguida vem o prazer.
Acho o dia, repete-se a dose de carga fria
A melancolia, passa ao estado de apatia
Até quando vou sentir preso um sentimento?
Até quando a mágoa me vai corroer por dentro?
Até quando este pensamento medonho?
Quero encontrar a chave para um mundo de sonho
Sigo encarreirado, sempre em frente até à meta
Ao lado dos obstáculos que me farão chegar à meta
Felicidade é missão, mantenho orientação
Sem bússola nem GPS, apenas a mente e o coração
Não tenhas medo, vem, entra...
Neste lugar onde a felicidade é quem orienta
Sê bem-vindo a este sítio tranquilo
Absorve todo o seu poder até comprimi-lo
Marca bem o teu lugar, neste reino invulgar
Sente a paz de espírito que começa a entrar
Vê o brilho que cobre a tua vida radiante
Umas vezes inconstante, outras constante
Passo a passo constrói um futuro mais puro
Independentemente do que sentes, eu sei que é duro
Sei que os teus sonhos procuram o equilíbrio
Mas se tu estás comigo, podes crer, eu estou contigo.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Pbz.
Expando o portal com a realidade a cada passo dado
Exploro imaginando os ideais nesse quarto escuro
Como será estar desmarcado neste mundo?
Caminho pela rua fora de porta aberta
Sentimento desperta à medida que o tempo mal se comporta
Ventos, geada, frio e chuva
O que um pobre desgraçado não dava por uma luva
Em qualquer bloco, quarteirão ou esquina
A miséria paira no ar embrulhada na neblina
Um ser humano enrolado em papelão
É visível a perda de uma alma e de um coração
Quadros pintados que a sociedade despreza
No total abandono, mesmo à distancia de uma reza
Triste fado neste espaço incolor
É notório o reflexo interior que tenta olvidar a dor
Quando a lua sobe as regras mudam
Não há benesses só preces, escassos prazeres ajudam
Uma moeda vale um sorriso de um mendigo
Há uma carente que apenas quer o calor de um abrigo
Nesse refúgio sem parede nem tecto
Matar a fome, para muitos, é um sagrado privilégio
Expostos a uma degradação constante
A desistência do próprio ser vai-se tornando irrelevante.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Páginas
Saboreio cada sílaba em frases de cadernos
São Páginas...
Ligação fraterna, dois mundos em simultâneo
Concentração genuína para exercitar o crânio
São crónicas deste meio envolvente
Retratos de vários factos do passado ou presente
Acompanhando desde sempre a eterna adolescência
Com a sapiência como fruto da experiência
Tempos passados onde tudo tinha mais brilho
Era mental, natural a percepção do caminho
Nada espero a não ser um futuro risonho
Tantas partidas na calçada e não acabam com o sonho
Não abdico de algo positivo sem pensar na retoma
Gravo a escritura, arquivo o que me aprisiona.
Acredito num lugar com brilho infinito
Sinto-me vivo, usufruo deste estímulo
Como no mundo, um nível de olhar constante
Iluminado em cada página, a cada instante
Folhas riscadas com poemas que eu próprio sintonizo
Luz divina que me acolhe neste nobre paraíso
Entusiasmo a cada passo que a página é voltada
Com a ansiedade de a poder ver finalizada
Observo factos reais que na vida vou absorvendo
Retiro um pedaço de cada um para viajar no momento
Metros de versos na memória, fica para sempre
Uma história com perfil mas que já ninguém sente
Última página saída de um mundo imaginário
Enquanto o tempo evapora diariamente no calendário.
sábado, 25 de setembro de 2010
Mais sublime, mais magnânimo.
Jorra de mim como água da fonte
No conhecimento, que transforma o inverso
Sinto paisagens do novo horizonte
Eu emano consciência, transpiro confiança
Marcho até ao fim com este povo que avança
Aprecio e partilho a maravilha da vida
Afinal há estrelas no céu, brilha!
A minha vida é poesia, uma sinestesia
Quero ser personificação viva da harmonia
Detenho consciência do poder da palavra
Da força do pensamento do terreno que lavra
Sinto gratidão pelos rios de abundância
Onde fluo, eu vou, liberto ou entoo
Nos cânticos da minha felicidade ecoo
Dentro de ti, como vagueias pela cidade
Sou a tua companhia na intimidade
O teu ombro amigo chora, e sinto ansiedade
Sabes que represento um povo novo que emerge
Com atitude nova, nunca pobre de espírito
Que se rege, sempre por valores magníficos
Podemos ir mais longe, descobrir novos sítios
O objectivo é conciso, sermos felizes
Voar-mos pelos céus como pássaros livres!
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Tenta
Eu sei, eu sinto, o tempo é certo e eu não minto
E é esquisita e variável a forma que te fez amável
Reconfortante de um jeito pouco confortável
Mas o conforto só torna as pessoas mais cansadas
Seguras de si mesmas, elas ficam desleixadas
E não revoltam, e não insistem...
Acomodam-se à rotina de tal forma que até desistem
Não confessa a quem se ofereça e pensava que é cansativo
O facto de cultivar a relação de um modo compensativo
Sinceramente eu penso, mas seriamente eu vejo
Que não há encanto nem amor, apenas um desejo
Ser uma pessoa melhor, desculpa mas sou normal
O que não faz sentido sozinho, a 2 torna-se especial
Mas ainda há quem insista a ter uma relação de merda
Esperam que melhor, mas isso não passa de uma espera!
Quando nos esquecemos daquilo que lutamos
Para trás olhamos, e apercebemo-nos que passaram os anos
Arrependimento, trás a amargura e a ilusão
Momentos bons e certos fortalecem a relação
Supostamente, era aquilo que eu queria ouvir
Mas verdadeiramente somente nos via cair
Algo que devia ser meu, devia ser nosso
Mas todavia uma tela não se define com um traço
À que torna-la num só, fazer a adição
Processo é lento como locomotiva movida a carvão
Ainda insistem que uniões são feitas a contrato
Separação, já não dormem os 2 no mesmo quarto
Bens divididos, difundidos, os pontos vão em anexo
Desprezo pelo corpo, ausência de sexo
E a criança não vê nada, os pais não estão em casa
E mais tarde essa indiferença, transforma-se em vingança!
O interesse perde-se com o ganhar da confiança
Mas no limiar da intimidade veio a cobrança
Vi a revolta, veio em volta em forma avarenta
O sentimento é de culpa, tal e qual à perpotência
Perderam a magia, a falta de cultivação
Excesso de motivos para acabar com a relação
Perante este clima incerto torna-se difícil
Partilhar o mesmo tecto como um acto impossível
Invisível a aparência, fracos na insistência
Juraram estar juntos na saúde e na doença
Mas quando o amor adoece, a fragilidade dói
A cura não amortece, á algo que se constrói
Reconstituições, são feitos planos futuros
Há muita gente que só em conjunto se sentem seguros
Tornam-se violentos quando há infidelidade
Mas agora não se vê livre dela, apenas se omite a verdade!
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
A cova que ele cava...
O zelo pela vida, é puro e obscuro, na tua alma
Foca a finalidade, o intuito de uma vida amarga
A existência não é nada sã, a dor jamais te larga
Insólito? Descabido? O martírio de uma vida
Resignado? Amargurado? Ela não te é querida
Tu tentas a sorte, mas é morte que te espera
Extinção, óbito, decesso e a curiosidade é mera
Apraz pelos outros, mas pelo outro vira a cara
Quem te engana não merece, essa estigma não sara
Peleja pela atitude, repugna pela censura
A igreja não é rude, para mentes sebentas não há cura
A impertinência de quem ama, por vezes trama
Caminhos sem meta, é fogo sem chama!
sábado, 10 de julho de 2010
Maze
Engana mas não tem gana, é a cina que de alto fala
Escura por dentro, eu tento, enfrento, não aguento
Um escuro cinzento, nela habita, morrendo com o tempo
Lágrimas de tristeza, punho fechado, é tanto o rancor
Cheio de fraqueza, mas amado, o ódio já não tem cor
Vida insana, vida insina, dá-me breves histórias
Fogo sem chama, nada me fascina, são curtas as memórias
Pensa e conclui, junta os pedaços, forma o teu espaço
Já nada flui, não há abraços, o tempo está escasso
Eu tentei, lutei até ao fim, mas no fim perdi
E hoje sei, que mesmo assim, sou feliz mesmo sem ti!